

A mãe de Iana Silva Santos, de 25 anos, assassinada pelo ex-companheiro em Salvador, criticou a atuação da Justiça após revelar uma pergunta feita por um juiz durante uma audiência relacionada às agressões sofridas pela filha. Segundo ela, o magistrado questionou se havia ocorrido traição no relacionamento entre a vítima e o suspeito.
“Isso é uma pergunta que um juiz faz para uma vítima?”, declarou a mãe de Iana em entrevista à TV Bahia. A jovem foi morta a facadas no último dia 21 de maio, após ter a casa invadida pelo ex-companheiro, identificado como Jonatas dos Santos Moreira. Depois do crime, o suspeito fugiu e permaneceu foragido por quase uma semana, sendo preso na quarta-feira (27).
Antes do feminicídio, Iana já havia denunciado episódios de violência doméstica. Em fevereiro deste ano, ela procurou ajuda após ser agredida e ameaçada pelo ex, que também teria invadido sua residência. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Jonatas chegou a ser preso na época e posteriormente foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por lesão corporal no contexto de violência doméstica.
O TJ-BA informou ainda que medidas protetivas haviam sido determinadas para impedir qualquer aproximação do suspeito. Mesmo assim, de acordo com as investigações, ele conseguiu entrar na casa da vítima e cometer o crime. O caso voltou a gerar debates sobre falhas na proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e sobre a atuação do sistema de Justiça em casos de feminicídio.
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