A Bahia está prestes a receber uma das maiores obras de infraestrutura da história do país: a Ponte Salvador-Itaparica. Com 12,4 km de extensão sobre o mar, será a maior ponte da América Latina e uma das mais longas do mundo quando estiver concluída. A construção está orçada em cerca de R$ 11 bilhões e terá início em junho de 2026, após a finalização dos projetos executivos e da plataforma provisória, prevista para o ano anterior.
O empreendimento será liderado por um consórcio chinês formado pelas empresas China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC) e China Communications Construction Company (CCCC), vencedoras do leilão em dezembro de 2019 e signatárias do contrato com o governo da Bahia em 2020.
A ponte será composta por três trechos:
4,6 km de aproximação em Itaparica;
6,9 km de aproximação em Salvador;
900 metros de ponte estaiada com 85 metros de altura, permitindo a passagem de grandes navios e plataformas.
Sua extensão é semelhante à da Ponte Vasco da Gama, em Portugal, e ficará atrás apenas de estruturas gigantes como a Ponte Incheon, na Coreia do Sul.
Além da ponte, o projeto inclui a construção de novas vias:
Em Salvador, cerca de 4 km de vias, com viadutos e túneis paralelos à Via Expressa, ligando a Calçada a Água de Meninos.
Na Ilha de Itaparica, uma via expressa de aproximadamente 22 km até Cacha Pregos, além da duplicação de 8 km da BA-001 até a Ponte do Funil.
Essas intervenções reduzirão em cerca de 250 km a distância entre Salvador e a ilha, diminuindo em mais de 40% o tempo de viagem e criando um corredor direto para as rodovias BR-101, BR-116 e BR-242.
A obra beneficiará cerca de 10 milhões de pessoas em 250 municípios da região. Serão gerados aproximadamente 7 mil empregos durante a construção, com prioridade para trabalhadores baianos. Na fase de sondagem, já foram contratadas mais de 17 empresas locais, gerando cerca de 300 empregos diretos e indiretos.
O projeto enfrentou disputas jurídicas e negociações complexas. A assinatura do contrato só foi possível após conciliação mediada pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia, que aprovou garantias bilionárias para viabilizar o empreendimento. Estudos de impacto ambiental, arqueologia, mobilidade e análise de comunidades tradicionais foram realizados. A fase de sondagem na Baía de Todos-os-Santos foi concluída em março de 2025, com um investimento de aproximadamente R$ 200 milhões.