Moradores de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, realizaram um protesto na manhã desta terça-feira (3) para cobrar indenizações pelos prejuízos causados pela contaminação da praia da região. A manifestação aconteceu nas proximidades da Base Naval e provocou o bloqueio temporário da passagem de ônibus, carros e motocicletas. O trânsito já foi normalizado.
Segundo a comunidade, aproximadamente 950 pessoas foram impactadas pelo episódio, que comprometeu atividades como pesca artesanal, mariscagem e comércio de alimentos e bebidas na faixa de areia.
Durante o protesto, pescadores, marisqueiros e comerciantes relataram dificuldades para manter o sustento das famílias desde a interrupção das atividades na praia. Entre os prejuízos estão o acúmulo de dívidas, cartões de crédito bloqueados e equipamentos de trabalho deteriorados pela falta de uso.
Os moradores também questionam a assistência oferecida. A distribuição de cestas básicas foi considerada insuficiente para atender às necessidades das famílias, principalmente aquelas com vários filhos e despesas de aluguel.
Em setembro, representantes de órgãos estaduais e federais, incluindo o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e o Ministério Público Federal (MPF), participaram de uma reunião com a Gerdau para discutir a elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que prevê pagamentos às pessoas prejudicadas.
Entretanto, os manifestantes afirmam que nenhum valor foi depositado até o momento.
O caso começou a ser investigado após um vazamento de substâncias químicas, em fevereiro de 2026. Durante uma operação de transporte de materiais, foram identificados cobre e nitrato amoniacal em estruturas de drenagem do terminal marítimo da região.
A contaminação provocou impactos ambientais, incluindo a morte de animais marinhos, e levou à interdição de atividades na área. Análises do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmaram a presença dos contaminantes.
Em junho, o órgão aplicou multas de R$ 20 milhões à Intermarítima e R$ 50 milhões à Gerdau. Já em agosto, a Justiça Federal determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 387,6 milhões em bens das empresas investigadas.
Uma investigação realizada por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também identificou 45 pessoas com sintomas potencialmente relacionados à contaminação. Os casos ainda estão em análise para verificar a possível relação com o episódio.
Em nota, a Gerdau informou que mantém diálogo com autoridades e órgãos competentes para buscar uma solução social e técnico-ambiental para a região.