Geral PM Suspeito
Tenente-coronel da PM é preso suspeito de receber R$ 286 mil de líder de milícia na Bahia
Oficial foi alvo da terceira fase da Operação Terra Justa, que investiga suposto esquema de corrupção e favorecimento a grupo armado no Oeste baiano
07/10/2026 11h10
Por: Redação Fonte: Correio

O tenente-coronel da Polícia Militar Luiz Augusto Normanha de Carvalho foi preso preventivamente nesta quarta-feira (7), em Santa Maria da Vitória, no Oeste da Bahia. A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Terra Justa, que investiga a atuação de uma milícia armada e a possível participação de agentes públicos no esquema.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), o oficial teria recebido aproximadamente R$ 286 mil do sargento da reserva Carlos Erlani Gonçalves Santos, apontado e condenado pela liderança de uma milícia que atuou por mais de uma década na região de Correntina.

Pagamentos chegavam a R$ 15 mil por mês

As investigações apontam que os repasses eram frequentes e, em grande parte, chegavam a R$ 15 mil mensais. Além dos depósitos, o grupo teria arcado com despesas pessoais do policial, incluindo boletos relacionados à faculdade de uma filha dele.

De acordo com o MP-BA, os pagamentos teriam como objetivo fazer com que o tenente-coronel deixasse de cumprir suas funções no combate à atuação da milícia. A denúncia também aponta que o oficial teria contribuído para o funcionamento do grupo, inclusive auxiliando na definição das escalas de vigilantes armados.

A milícia investigada teria oferecido serviços clandestinos de segurança a grileiros e utilizado ameaças para pressionar e expulsar comunidades tradicionais de áreas ocupadas na região de Correntina.

Oficial ocupava cargo de direção

Luiz Augusto Normanha comandou a 30ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Santa Maria da Vitória até 2023. Atualmente, ele ocupa o cargo de diretor do Colégio da Polícia Militar de Bom Jesus da Lapa.

Além da prisão preventiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao oficial. As medidas foram autorizadas pela Justiça após o recebimento da denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público, que atribui ao policial o crime de corrupção passiva militar.