
Um hospital de Salvador tem adotado uma proposta diferente para tornar a internação menos pesada para os pacientes. Na Florence Hospital de Transição, atividades como jardinagem, música ao vivo, jogos de mesa e cãoterapia fazem parte da rotina de pessoas que já passaram pela fase crítica do tratamento, mas ainda precisam de acompanhamento antes de voltar para casa.
O modelo de hospital de transição, comum em países da Europa e nos Estados Unidos, funciona como uma etapa intermediária entre hospitais de alta complexidade e a residência. A unidade recebe, entre outros pacientes, pessoas em recuperação de cirurgias complexas, idosos, indivíduos com dependência funcional e pacientes que necessitam de cuidados paliativos ou reabilitação.
A programação é distribuída ao longo da semana. Às segundas-feiras, os pacientes acompanham apresentações de voz e sanfona. Às quintas, há música com violão, enquanto as sextas são reservadas para apresentações de saxofone. Cada atividade musical dura aproximadamente uma hora.
Às quartas-feiras, o destaque fica por conta da cãoterapia. Os cães passam entre uma e duas horas na unidade, circulando pelo jardim e pelos quartos para interagir com os pacientes.
O hospital também mantém uma área de jardinagem aberta para pacientes e visitantes. A própria instituição fornece as sementes, enquanto os vasos são identificados com o nome de quem cuida de cada plantio. A programação inclui ainda oficinas de pintura e artesanato e jogos como dominó, baralho e jogos de tabuleiro.
A proposta também permite maior participação dos familiares. Segundo a instituição, parentes podem permanecer no local e os pacientes podem receber animais de estimação. Até comemorações de aniversário podem ser realizadas nos quartos.
Um dos pacientes, Carlos Alberto de Oliveira, de 72 anos, passou cerca de 45 dias internado na unidade após um AVC. Ele relatou que atividades como música, passeios pelo jardim e a presença dos familiares ajudaram a tornar o período de internação mais agradável e contribuíram, em sua percepção, para sua recuperação.
A Florence foi inaugurada em Salvador em 2017 e, segundo o hospital, foi a primeira unidade desse modelo no Norte e Nordeste. A proposta é unir o acompanhamento clínico à manutenção de atividades e vínculos que fazem parte da rotina do paciente fora do ambiente hospitalar.
Apesar da proposta mais humanizada, a unidade mantém estrutura assistencial permanente. O hospital conta com médicos 24 horas, equipe de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.
Segundo João Gabriel Ramos, médico intensivista e presidente da Florence, a proposta é combinar o cuidado técnico com estratégias de acolhimento, permitindo que o paciente mantenha vínculos familiares e atividades durante o período de recuperação.
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