A Polícia Civil da Bahia prendeu 12 pessoas nesta quinta-feira (24) durante a Operação Iceberg, que investiga um esquema de venda de drogas por meio do Instagram para consumidores de alto poder aquisitivo. Segundo a investigação, entre os clientes estavam médicos, empresários e advogados. As prisões ocorreram em cidades da Bahia e também em Aracaju, em Sergipe.
De acordo com a polícia, o Instagram era utilizado como principal canal de negociação. Os pedidos eram feitos por mensagens privadas, os pagamentos aconteciam principalmente via Pix e as entregas eram combinadas de forma discreta. Os investigadores afirmam que diferentes variedades de maconha eram anunciadas com nomes como ICE, WOLF, DRY e FLOR 24K.
? Quem são os 12 presos?
Segundo as informações divulgadas na investigação, os suspeitos são:
- Erik Castro Gusmão Seixas — apontado como principal alvo e responsável pela comercialização de diferentes variedades de maconha. Segundo a polícia, teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos e usado empresas, contas de terceiros e o nome da avó para ocultar patrimônio.
- Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes — preso na zona rural de Jaguaripe e apontado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma empresa de fachada.
- Tyago de Assis Conceição — já estava preso em Sergipe quando o mandado da operação foi cumprido. É apontado como fornecedor de drogas.
- Robson Siqueira Reis — preso durante o cumprimento de mandado. A investigação divulgada não detalhou qual seria sua função no esquema.
- Laisa Franca Lacerda — segundo a polícia, disponibilizava a própria residência para armazenamento e retirada de drogas e teria movimentado mais de R$ 180 mil por meio de contas pessoais e de uma empresa.
- Theo Macedo e Dantas — apontado como um dos principais fornecedores de entorpecentes para Erik. A investigação atribui a ele movimentação de R$ 621.489,73.
- Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes — apontado como distribuidor regional em Vitória da Conquista e cidades próximas.
- Luan Costa da Silva — investigado como distribuidor de drogas em grande escala no interior da Bahia, com atuação em Santo Antônio de Jesus.
- Matheus Ribeiro Mello do Nascimento — segundo a investigação, teria passado de comprador a revendedor e realizado negociações a partir da própria residência.
- Guilherme Rodrigues de Oliveira — apontado como sócio de uma empresa que, segundo os investigadores, teria sido utilizada como fachada. A polícia identificou movimentação de R$ 281.715,40.
- Marcelo Botelho Reis — preso em flagrante com uma arma de fogo e apontado como comprador com indícios de aquisição de drogas para revenda. A investigação identificou mais de R$ 46 mil movimentados com Erik.
- Camila Ingrid Dourado Bezerra — namorada de Luccius, foi presa em flagrante após a polícia encontrar grande quantidade de drogas na residência dela.
? Investigação aponta movimentação milionária
A apuração financeira aponta que Erik teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, distribuídos em mais de 16,6 mil transações bancárias. Segundo a polícia, empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar ou ocultar os valores.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos relacionados aos investigados. Também foram apreendidos veículos de alto padrão avaliados em mais de R$ 1,1 milhão, entre eles Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker.
? Operação começou após investigação de perfil nas redes sociais
A Operação Iceberg surgiu a partir de informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). A análise de um perfil nas redes sociais levou os investigadores a identificar indícios de comercialização de drogas e, posteriormente, uma estrutura envolvendo fornecedores, distribuidores e pessoas responsáveis pela movimentação financeira.
A operação contou com equipes do DHPP, Departamento de Inteligência Policial, Laboratório de Lavagem de Capitais, Denarc, Depin, Core e Departamento de Polícia Técnica. As investigações continuam para esclarecer a participação individual dos suspeitos e a extensão do esquema.