A Bahia perdeu ritmo de crescimento econômico ao longo dos últimos anos e apresentou desempenho inferior ao Brasil e ao Nordeste, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre 2007 e 2023, o Produto Interno Bruto (PIB) do estado acumulou alta de 24,7%, enquanto a economia brasileira cresceu 35,8% no mesmo período.
O resultado representa uma mudança em relação ao período anterior. Entre 2003 e 2006, o PIB da Bahia havia crescido 20,1%, acima do avanço registrado pelo Nordeste (17,7%) e pelo Brasil (14,8%).
A partir de 2007, o ritmo da economia baiana começou a desacelerar. Entre 2007 e 2010, o estado cresceu 16,6%, enquanto o Nordeste avançou 18,8% e o Brasil, 19,7%.
Nos quatro anos seguintes, de 2011 a 2014, o crescimento baiano foi ainda menor, chegando a 8,9%, contra 13,6% do Nordeste e 9,7% do país.
O cenário se agravou entre 2015 e 2018, quando a economia da Bahia acumulou retração de 7,3%. No mesmo período, o PIB brasileiro caiu 3,8% e o nordestino recuou 4,5%.
A perda de dinamismo econômico pode ter reflexos diretos na população, especialmente na geração de empregos, aumento da renda e atração de novos investimentos.
Segundo o economista Vinicius Assis, CEO da Ônix Capital, a Bahia continua tendo uma economia relevante pela dimensão e diversidade, mas enfrenta dificuldades para transformar essa riqueza em aumento de renda para a população.
O especialista aponta que os efeitos podem atingir principalmente jovens, mulheres, população negra e moradores do interior, com menor geração de empregos formais e maior migração para a informalidade.
A desaceleração também reduziu a participação da Bahia na economia nordestina. O estado representava cerca de 30,6% do PIB do Nordeste entre 2003 e 2006. Entre 2007 e 2023, essa participação caiu para aproximadamente 28,5%.
Apesar de continuar sendo a maior economia do Nordeste, a Bahia passou a crescer em ritmo inferior ao de outros estados da região.
Entre os fatores apontados na análise estão a perda de grandes investimentos industriais, o fechamento da Ford em Camaçari e a concentração da atividade econômica em setores de serviços tradicionais.
A chegada da BYD, que está implantando uma nova fábrica em Camaçari, aparece como uma perspectiva de retomada da atividade industrial no estado.
Em 2020, durante a pandemia de Covid-19, o PIB da Bahia recuou 4,4%, enquanto a economia brasileira caiu 3,3% e a nordestina, 4,1%.
A recuperação posterior não foi suficiente para eliminar a diferença. Entre 2019 e 2022, a economia baiana cresceu apenas 3,5%, abaixo dos 4,8% do Nordeste e dos 5,7% do Brasil.
Os dados mostram que, apesar de manter a liderança econômica regional, a Bahia vem enfrentando um período prolongado de crescimento abaixo das principais referências nacionais e nordestinas.