A renomada rede de delicatessen Almacen Pepe, referência no segmento gourmet na capital baiana, protocolou um pedido de recuperação judicial na 1ª Vara Empresarial de Salvador. A solicitação foi formalizada em 18 de julho, e o valor da dívida apontado é de R$ 78.178.761,58
Em comunicado ao BNews, a empresa afirmou que a iniciativa tem como finalidade reorganizar suas obrigações bancárias, sem afetar o cotidiano de suas operações. Ela garantiu que as padarias, empórios e restaurantes permanecem em atividade normalmente, mantendo a qualidade e o atendimento que consolidaram sua reputação.
Segundo a nota, a recuperação judicial proporciona um "ambiente jurídico seguro para reordenar encargos financeiros, assegurando a continuidade das operações, a manutenção dos empregos, parcerias e compromissos comerciais". A rede enfatizou que não haverá demissões, e que salários, benefícios, programas de fidelidade, garantias de produtos e relações com fornecedores se mantêm inalterados, sem prejuízo ao funcionamento.
Fundado na década de 1960 pelos irmãos Carballo Faro, o Grupo Almacen Pepe/Carballo Faro foi pioneiro em apresentar o formato de delicatessen sofisticada em Salvador, inspirado nos tradicionais empórios europeus. Em 2010, para lidar com a concorrência internacional e financiar investimentos, o grupo alienou parte de sua operação a um grande conglomerado sul-americano.
Atualmente, com unidades nos bairros da Pituba, Horto Florestal, Alphaville e no Shopping Barra (inaugurada em julho), a empresa emprega cerca de 500 pessoas diretamente, além de contar com ampla rede de fornecedores locais e internacionais.
De acordo com informações fornecidas pela assessoria, as dívidas resultaram de empréstimos para investimentos e capital de giro, exacerbados pelo recente aumento das taxas de juros, o que pressionou a liquidez do grupo.
Além disso, a empresa destacou que a recuperação centraliza todas as negociações com os credores em um único processo judicial, oferecendo mais segurança jurídica e ajudando a alcançar soluções equilibradas sem comprometer as atividades operacionais.
Segundo a legislação vigente, o prazo máximo para conclusão do processo de recuperação judicial é de 180 dias, mas o grupo espera finalizar o processo em bem menos tempo.
O sócio-administrador, André Luís Faro Carballo, declarou que o momento está sendo enfrentado com “seriedade, transparência e responsabilidade” e que a medida representa uma atitude de “transformação responsável e ajuste na estrutura financeira da empresa”. Ele reforçou o pedido de confiança e colaboração de colaboradores, fornecedores, clientes e parceiros, reafirmando o compromisso da marca com a excelência e os laços estabelecidos com a comunidade baiana ao longo dos anos