Quase um mês após o início da crise do metanol — que envolveu bebidas adulteradas em outras regiões do país — bares e restaurantes em Salvador ainda sentem os efeitos da desconfiança dos consumidores. Mesmo sem casos confirmados de contaminação no estado, o temor impactou o consumo de bebidas destiladas na capital.
Em âmbito nacional, o setor de alimentação fora do lar registrou queda nas vendas em setembro, interrompendo período de estabilidade. Em Salvador, o cenário tem variado conforme o tipo de estabelecimento: alguns registraram redução de até 66% nas vendas de drinks e destilados.
Para enfrentar a crise, muitos empresários adotaram medidas mais rígidas de controle e transparência. Em um dos bares que registrou queda significativa, a venda de destilados praticamente zerou nos primeiros fins de semana após o surto de notícias negativas. Em outro estabelecimento turístico histórico, a queda no faturamento foi de cerca de 30%, com migração para bebidas nacionais e maior divulgação da procedência das garrafas.
Alguns espaços optaram por priorizar compras somente em grandes redes de supermercados e disponibilizar notas fiscais e documentos de fornecedores aos clientes, reforçando que todos os produtos estão dentro das normas. Em outro caso, a queda mais severa levou à interrupção temporária das atividades de um bar para regularização de laudos técnicos antes da reabertura.
Apesar das dificuldades, parte dos empresários observa que a crise serviu como um alerta para fortalecer as boas práticas de aquisição, controle de estoque e comunicação com o público — fatores que podem contribuir para maior confiança e recuperação futura.